Arquivo para Janeiro, 2008

Howard Hawks

Faulkner, Howard Hawks, and Steve Fisher

” Quando surgiram os filmes falados, ele perguntaram o que sabíamos sobre diálogos? Respondemos que nada; que sabíamos apenas como as pessoas falam.
Fiquei sem trabalho por um ano e meio porque eles achavam que eu não sabia nada sobre diálogos.

Mas eu acho que ação é mais interessante que diálogos. Qualquer um pode ficar de pé e falar. “

Leminsky

 Queridíssimos

Vi ontem na tv o ” three seconds to hell ” do aldrich
é a história de um grupo de desmontadores de bomba
na alemanha do após guerra
um erro mínimo e a bomba PUM ! na cara do desmontador
escrever poemas é assim
um erro e o poema explode na tua cara

Angela Schanelec

Algo de especial voltou com os diálogos em NACHMITTAG. Tinha este desejo e um interesse muito antigo por Tchékhov, que queria trabalhar. Foi uma oportunidade para voltar ao princípio: o que significa as pessoas falarem? o que se vê quando as pessoas falam? Tchékhov deu-me a coragem… (risos) Soa estranho! Será mesmo coragem? Agora deixo as personagens dizerem o que sentem. Acho que elas querem alcançar o outro. Dou-lhes esse objectivo, procuram-no. Mas não pensam no que o outro irá ou não perceber. O falar tem apenas a ver com elas próprias, não com quem está à sua frente. Têm que falar. Provavelmente também têm a consciência de que falham. {A este propósito, o crítico alemão Ekkerhard Knörer escreveu: «Em NACHMITTAG as conversas não tratam da comunicação, antes da solitária luta dos indivíduos com as palavras, uma luta que é travada na presença de outros.»}

nachmittag

O que significa roubar?

“Olha, eu já roubei coisas de outros diretores, e fico muito feliz e orgulhoso quando alguém rouba alguma coisa de mim. O que significa ‘roubar’? Nós só pegamos uma idéia de que gostamos e tentamos fazer com que ela seja nossa.”

Fritz Lang, em 1959, aos Cahiers du Cinéma.

Hienas

Hienas

Meu amor acha essa palavra engraçada.

Carta aberta a John Ashbery

A memória é uma ilha de edição -

um qualquer
passante diz, em um estilo nonchalant,
e imediatamente apaga a tecla e também
o sentido do que queria dizer.


Esgotado o eu, resta o espanto do mundo não ser
levado junto de roldão.

Onde e como armazenar a cor de cada instante?
Que traço reter da translúcida aurora?
Incinerar o lenho seco das amizades esturricadas?

O perfume, acaso, daquela rosa desbotada?

A vida não é uma tela e jamais adquire
o significado estrito
que se deseja imprimir nela.

Tampouco é uma estória em que cada minúcia
encerra uma moral.

Ela é recheada de locais de desova, presuntos,
liquidações, queimas de arquivos,divisões de capturas,
apagamentos de trechos, sumiços de originais,
grupos de extermínios e fotogramas estourados.
Que importa se as cinzas restam frias
ou se ainda ardem quentes
se não é selecionada urna alguma adequada,
seja grega seja bárbara,

para depositá-las?


Antes que o amanhã desabe aqui,

ainda hoje será esquecido
o que traz a marca d’água d’hoje.

Hienas aguardam na tocaia da moita enquanto
os cães de fila do tempo fazem um arquipélago
de fiapos do terno da memória.
Ilhotas. Imagens em farrapos dos dias findos.
Numerosas crateras ozonais.
Os laços de família tornados lapsos.
Oco e cárie e cava e prótese,
assim o mundo vai parindo o defunto
de sua sinopse.
Sem nenhuma explosão final.

Nulla dies sine linea. Nenhum dia sem um traço.
Um, sem nome e com vontade aguada,
ergue este lema como uma barragem
anti-entropia.

E os dias sucedem-se e é firmada a intenção
de transmudar todo veneno e ferrugem
em pedaço do paraíso. Ou vice-versa.
Ao prazer do bel-prazer,
como quem aperta um botão da mesa
de uma ilha de edição
e um deus irrompe afinal para resgatar o humano fardo.


Corrigindo:
.o humano fado.
(1995)
Waly Salomão.

Cinema mudo

preciso do cinema mudo.

Keystone Kops

O que do cinema mudo?

A inocência ? O corpo? O silêncio ? O humor ?

Ainda não sei, mas vou descobrir. ( suspeito que de tudo isso. )

Sobre a modernidade

IV A modernidade

Trata-se, para ele, de tirar da moda o que esta pode conter de poético no histórico, de extrair o eterno no transitório. A modernidade é o transitório, o efêmero, o contigente, é a metade da arte, sendo a outra metade do eterno e o imutável.

Houve uma modernidade para cada pintor antigo…

Charles Baudelaire

This Machine Kills Fascists

Fender Jaguar

Woody Guthrie

Vícios e virtudes

Vícios e virtudes do audio-visual atual: certo estilo jornalísitco, cinejornal, filme dentro do filme, reflexão sobre o cinema, relatividade, desdramatização, mistura de estilos variados, excesso de diálogos, câmera cínica, flashback em série, foto fixa, corte sonoro, presença de anuncios luminosos, cartazes e efeitos tipográficos, tempos mortos e rítimos variável, proliferação de personagens secundários, insistentes planos gerais e raros primeiros planos, uso e abuso da lente grande angular, com foco panorâmico, travellings intermináveis e multiplicação de pontos divergentes.

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