Em I Vitelloni já está todo o Fellini. O trabalho da memória obsessivamente retomado, os personagens procurando o caminho entre o desespero e a graça. E uma forma de mostrar que transcende os limites do neo-realismo, com as imagens rigorosamente trabalhadas (a disposição dos personagens na profundidade de campo nas sequências do cais, da praia e as suas deambulações nocturnas pelas ruas), uma fotografia que sublinha o recorte psicológico.
Que I Vitelloni se tenha tornado uma das obras mais citadas de Fellini, e um verdadeiro filme-culto, não causa espanto.
No fim do filme, Moraldo é o único que consegue libertar-se e abandonar definitivamente aquela vida inútil deixando a cidade. Quando se despede com um “Adeus, Guido” do seu amigo ferroviário, é a voz de Fellini e não do actor que se ouve. Acredita-se que Fellini o fez para dar ênfase ao facto deste ser um filme autobiográfico.
